Zoroastrismo: Um Deus de Pura Benevolência e a Liberdade da Escolha
Amados irmãos e irmãs em fé, e todos os corações que buscam a essência do Divino!
Hoje, ao nos aprofundarmos no Zoroastrismo, somos convidados a refletir sobre a natureza de Ahura Mazda, o Sábio Senhor, e a contrastá-la com muitas concepções que, ao longo da história, foram atribuídas a divindades em diversas tradições. O Zoroastrismo nos apresenta uma visão de Deus que é, em sua essência, pura benevolência, sabedoria e criatividade.
Ahura Mazda é a fonte de toda a luz, verdade e bondade. E, para compreendermos plenamente essa divindade, é fundamental esclarecer o que Ele não é e o que Ele não faz. Ao contrário de muitas narrativas que infelizmente mancharam a imagem do sagrado, Ahura Mazda:
- Não mata e não manda matar. Sua natureza é vida e criação, não destruição. A violência e a morte vêm da força oposta, do Espírito Maligno, que busca aniquilar a vida.
- Não manda escravizar. A liberdade é um dom divino fundamental. A dignidade de cada ser humano é sagrada, e a escravidão é uma afronta direta à vontade de Ahura Mazda.
- Não testa sua fé. A fé para o Zoroastrismo não é uma provação dolorosa, mas sim um caminho de discernimento e escolha consciente pelo bem. Ahura Mazda não nos submete a sofrimentos para "testar" nossa lealdade.
- Não se vinga. A vingança é um atributo do mal, uma manifestação de ódio. Ahura Mazda, sendo pura bondade, não abriga sentimentos de retaliação.
- Não pune com inferno eterno. No Zoroastrismo, a consequência de nossas más ações não é um castigo divino eterno e sádico, mas sim um processo de purificação e reequilíbrio até a renovação final. O propósito é a restauração, não a condenação sem fim.
- Não envia pragas e não destrói cidades. Esses atos são incompatíveis com a natureza criativa e benévola de Ahura Mazda, que busca a prosperidade e o bem-estar de Sua criação.
- Não afoga a humanidade. A ideia de um Deus que destrói sua própria criação em massa por meio de catástrofes é alheia à essência de Ahura Mazda, que é o promotor da vida e da evolução.
- Não exige sacrifícios de animais. O Zoroastrismo prega o respeito a toda a vida e a pureza. O sacrifício de seres vivos não é uma prática aprovada por Ahura Mazda.
- Não aceita o sacrifício humano. A vida humana é o ápice da criação de Ahura Mazda, e o sacrifício de qualquer ser humano é uma abominação.
- Não tortura. A dor e o sofrimento infligidos deliberadamente não provêm de Ahura Mazda, mas sim da influência do Espírito Maligno.
- Não exige obediência cega. A fé zoroastriana é baseada na liberdade de escolha e na razão. Somos convidados a usar nossa mente para discernir o bem e o mal e a escolher conscientemente o caminho da retidão. A obediência não é cega, mas sim resultado de uma compreensão esclarecida.
- Não tem povo escolhido. Ahura Mazda é o Deus de toda a humanidade, e Sua luz brilha igualmente sobre todos. Não há exclusivismo ou favoritismo divino por uma etnia ou nação específica.
- Não manda fazer guerras por terra sagrada. A verdadeira santidade reside nos corações puros e nas ações justas, não em pedaços de terra. A guerra e a violência são contrárias à harmonia e à paz que Ahura Mazda deseja para o mundo.
A mensagem central do Zoroastrismo é que Ahura Mazda é o Bom Criador, o Sábio Senhor, que nos presenteou com a liberdade de escolha (Asha). É através dessa liberdade que nos tornamos cocriadores do bem no mundo, escolhendo conscientemente os "Bons Pensamentos, Boas Palavras e Boas Ações" (Humata, Hukhta, Hvarshta).
Essa compreensão de Ahura Mazda nos oferece uma esperança profunda e uma grande responsabilidade. Ele não é um Deus que nos oprime com medo, mas sim um Deus que nos empodera com a capacidade de discernir e agir em prol da luz.
Que possamos internalizar essa visão de um Deus de pura benevolência e que, por meio de nossas escolhas livres e conscientes, possamos refletir a luz de Ahura Mazda em cada aspecto de nossas vidas, construindo um mundo de paz, justiça e prosperidade para todos.
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